quarta-feira, 16 de julho de 2008

Remakes

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Após o surgimento de Funny Games U.S. voltei a ter um sentimento de alguma incompreensão, ou melhor, até compreendo, mas é algo com que não tenho concordado muito, relativamente á escolha de alguns filmes. Os remakes de filmes, normalmente baseados de filmes não americanos ou clássicos pela industria americana, tem sido feita de uma forma que tem visado meramente a perspectiva financeira. Qual outro motivo serviria o remake de Funny Games, ainda por cima feito pelo mesmo realizador. Certos casos como o Desperado / El Mariachi ambos feitos pelo Robert Rodriguez, até são compreensíveis. O realizador em 1992 fez um filme com muitos poucos meios e após ter ganho algum nome quis refaze-lo assim que conseguiu ter um budget maior para a sua visão. Casos como King Kong, também são compreensíveis, Peter Jackson era fã do primeiro e quis dar-lhe o seu toque, algo que só seria possível com os meios tecnológicos actuais. Ocean's Eleven também é baseado num filme com algumas décadas e Soderbergh ainda conseguiu (na minha opinião) melhorar.
Agora ainda ontem descobri que um filme espanhol estreado no final do ano passado, [Rec], já tem a sua versão americana pronta intitulada Quarantine. Ora bem, não posso falar sobre a qualidade pois ainda não vi nenhum. Mas custa-me a ver um filme ser refeito em tão curto espaço de tempo. Sinceramente nem sei bem o que isso mostra. Numa maior rentabilização do projecto? Numa necessidade, não só americana mas mundial de ter o filme falado em inglês? ou numa completa falta de ideias pelos responsáveis pelo remake? Talvez um pouco de tudo. Quem sabe, o filme até pode acabar por ser bem diferente do original.


Um caso que já me fez reflectir bastante foi Vanilla Sky / Abre los ojos. O remake é um filme bastante bom, mas sendo que as datas de estreia têm uma diferença de 4 anos, e que o original é quase igual tirando a língua (até a Penélope é igual). Não consegui apreciar um filme de um realizador que gosto bastante, sabendo que a mesma história já tinha sido contada pouco antes e bastante bem. Sendo dois filmes bastante semelhantes continuo a preferir o original, quanto mais não seja pelo mérito da criatividade. E embora tenha achado Vanilla Sky bom, custa-me admira-lo por isso, e também porque preferia que Cameron Crowe tivesse feito outro, um saído unicamente da sua cabeça.

terça-feira, 15 de julho de 2008

T.V. no cinema


Após o (in)sucesso da adaptação para cinema de Sex and the City, os estúdios já começam a tentar capitalizar ao máximo ideias já existentes e aproveitarem-se da popularidade que certos produtos já têm o que facilita imenso em questões de marketing. Agora começam a surgir outros rumores e possíveis conversações para novas adaptações. Executivos da HBO já confirmaram que há conversas para a possível sequela de Sex and the City e também para uma longa-metragem dos Sopranos, caso o criador David Chase quiser. E outra série que já tinha gerado rumores sobre a sua adaptação era Friends. Mas a pergunta é, com as más criticas de Sex and the City, e a aparente incapacidade de não matar um produto rentável a favor da sua sobre-comercialização. Será que os fãs realmente querem ver de volta todos estes personagens do pequeno ecrã?
Se me perguntarem a mim, dificilmente haveria melhor ressuscitação, do que a de um bar chamado Cheers.

domingo, 13 de julho de 2008

Critica

Almost Famous (2000) Cameron Crowe

Almost Famous é um filme sobre rock, amor, crescimento e amizade. Com um mood muito típico de Cameron Crowe, o filme desenrola-se com personagens bastante memoráveis, diálogos criativos e uma grande sensação de introspeção sobre um jovem adolescente que vive a vida pela primeira vez com olhos de um adulto.
Uma comédia semi-autobiográfica de Crowe que na sua adolescência foi jornalista para a revista Rolling Stone. William é um jovem avançado na sua idade que tem a oportunidade de viajar durante algumas semanas com uma das suas bandas favoritas, os Stillwater. E durante esse período vai poder conhecer todos os elementos da banda, formar amizades com eles, e todo o caos que os rodeia. Nessa viagem estabelece uma relação próxima muito indefinida com Russell Hammond, o guitarrista e Penny Lane, uma grupie que viaja com eles.
Um dos destaques mais óbvios é a música. Se a caracterização de uma certa era no rock, era a base para contar esta história de coming of age, as canções escolhidas, dão ao filme o perfeito equilíbrio entre o mundo da música e o sentimento do filme. Aliás como é uma constante nos filmes de Crowe, é sempre notório a paixão que ele tem pela música, e a sua capacidade para usar esse gosto nas suas histórias. Mas este não é a única marca de Crowe presente no filme. A ternura que consegue, através de personagens muito bem caracterizadas, bons diálogos e uma boa capacidade para não forçar a realização na apreciação do filme, não optando por planos demasiado estilizados, e concentrando atenções nos personagens.
De destacar também, Kate Hudson, que consegue, talvez pela única vez até agora na sua carreira, exibir o seu potencial representativo tornando Penny Lane a personagem mais carismática do filme.
Crowe consegue mais uma vez, muito da mesmo forma como em Jerry Maguire, fazer com que o espectador tenha uma ligação muito grande ás personagens e torna-las o a força motivadora por trás desta história de rock, amizade, e crescimento.

Melhor – A Banda sonora e o estilo de Crowe.
Pior – Não fugir a uma ou outra piada fácil.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Inglorious Bastards


Já não é novidade para ninguém, mas como ainda não falei dele, aqui vai. Tarantino já terá acabado o guião do seu próximo e já á muito em perspectiva (mesmo antes de Kill Bill) Inglorious Bastards. QT anunciou na edição de Cannes deste ano que já tem o guião pronto para ser filmado e espera ter o filme pronto para a apresentar na edição Cannes 2009.

O filme trata-se de um remake do Inglorious Bastards de 1978, mas segundo QT é mais uma inspiração no antigo, e um filme muito mais próximo de Dirty Dozen. É um épico de Segunda Guerra Mundial e descrito por ele como um "modern, in-your-face movie". E trata-se de uma missão suicida de um grupo americano em terreno ocupado Nazi.

Nas ultimas semanas começaram a surgir já várias noticias sobre a produção e até agora sabe-se (rumor) que o filme será dividido em dois, Brad Pitt já foi sondado para participar, e após andar a tentar arranjar outro estúdio para financiar o filme, QT acabou por permanecer na Weinstein Company, com quem tem trabalhado anteriormente apesar de ter andado á procura de alternativas. Supostamente QT estava descontente com o estúdio pelo fraco apoio que deu ao seu último filme. Até já surgiram noticias sobre o possível envolvimento da pornstar Tera Patrick no filme de quem QT é supostamente "admirador". Mas aqui já parece apenas notícias sem fundamento geradas pelo entusiasmo inicial que o filme esta a causar.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Estreias



Los Borgia (OS BÓRGIA) - Antonio Hernández
Cinema Alvaláxia - 14h00 / 17h10 / 21h05 / 24h10
Medeia Saldanha Residence - 13h10 / 16h00 / 18h50 / 21h40
Amoreiras - 13h10 / 17h20 / 20h50 / 24h00




Wanted (PROCURADO) - Timur Bekmambetov

Medeia Fonte Nova - 14h30 / 17h00 / 19h30 / 22h00
Lusomundo Vasco da Gama - 13h15 / 15h50 / 18h30 / 21h45 / 24h20
Cinema Alvaláxia - 13h20 / 16h00 / 18h40 / 21h20 / 24h00
Lusomundo Colombo - 13h20 / 16h00 / 18h30 / 21h10 / 24h00
El Corte Inglés - 11h30 / 14h10 / 16h40 / 19h10 / 21h40 / 24h10
Cinema City Campo Pequeno - 13h40 / 15h40 / 17h55 / 19h55 / 22h10 / 24h15; Sab-Dom: 11h40
Filmitalus Twin Towers - 15h45 / 18h45 / 21h40
Medeia Monumental - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h45 / 24h15
Lusomundo Amoreiras - 13h00 / 16h00 / 18h50 / 21h20 / 23h50



Tropa de Elite - José Padilha

El Corte Inglés - 11h30 / 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h50 / 24h20
Cinema Alvaláxia - 13h00 / 15h40 / 18h20 / 21h30 / 24h15
Lusomundo Amoreiras - 12h50 / 15h50 / 18h40 / 21h15 / 23h50
Filmitalus Twin Towers - 15h15 / 18h15 / 21h30
Lusomundo Vasco da Gama - 13h10 / 16h00 / 18h45 / 21h30 / 24h15
Castello Lopes Londres - 14h00 / 16h30 / 19h00 / 21h30; 6ª-Sab: 24h00
Lusomundo Colombo - 13h15 / 16h10 / 18h50 / 21h40 / 24h20
Medeia Monumental - 14h30 / 17h00 / 19h30 / 22h00 / 24h30




Les Amours d'Astrée et de Céladon (OS AMORES DE ASTREA E DE CELADON) - Eric Rohmer


Cinema King - 13h20 / 15h30 / 17h40 / 19h50 / 22h00; 6ª-Sab,2ª: 24h30


terça-feira, 8 de julho de 2008

Edward Hopper


Descobri hoje que a fotografia de um filme que mais aprecio, foi inspirada num pintor americano Edward Hopper. O filme é Road to Perdition e o seu director de fotografia Conrad L. Hall, falecido em 2003. - Cinematographers

Hopper (1882 - 1967) era um pintor realista que gostava de captar um certo sentimento de solidão e tristeza. O seu quadro mais conhecido é "Aves da noite" (1942).

Hall foi um dos melhores directores de fotografia que o cinema já conheceu e teve em Road to Perdition a sua piece de resistance. Road to Perdition (2002), American Beauty (1999), A Civil Action (1998), Searching for Bobby Fischer (1993), Tequila Sunrise (1988), Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969), In Cold Blood (1967), Cool Hand Luke (1967).

The Dark Knight

Surgiu um novo site relacionado com o filme que contém um countdown para a estreia

http://citizensforbatman.org/

segunda-feira, 7 de julho de 2008

DVDs


Quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero
quero, quero, quero, quero, quero, quero
, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero
, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero
, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero

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Critica

Quem é o ladrão?

Ladri di biciclette (The Bicycle Thief) (1948) Vittorio De Sica

Em 1948, e numa altura em que a Itália, por repercussões da segunda Guerra Mundial, estava inundada em pobreza e desemprego, o cinema tornou-se um meio de expressão importante, reflectindo essa condição social.
O Neo-realismo italiano é uma marca muito importante da época no cinema do pais. Este reflectia condições muito quotidianas, de luta, dificuldade, e condições humanas precárias. Privilegiava o uso de não actores, e filmava muito em locais que reflectiam essas mesmas insuficiências. A ideia seria recriar um melhor sentido de realidade, fugir á encenação imaginativa e eloquente, e criar algo mais cru.
Ladri di Biciclette é composto por muitos desses elementos, e é igualmente por uma história muito simples. Ricci, um homem de família procura emprego numa Roma onde simplesmente não havia hipótese de recusar uma oferta. E quando esta oferta surge, ele vê-se obrigado a mentir dizendo “sim eu tenho uma bicicleta” para poder cumprir as suas novas funções de Colador de cartazes. Após a sua mulher penhorar os lençóis de família para recuperar uma bicicleta igualmente penhorada, ele parte com a maior felicidade do mundo, e como seria previsível pelo titulo, logo na sua primeira tarefa, é-lhe roubada a bicicleta. Ora o resto do filme não é mais do que a tentativa desesperada de Ricci e do seu filho, recuperarem o seu único meio de trabalhar.
Um dos melhores méritos do realizador (Vittorio de Sica) é conseguir, com uma história simples, e filmado de uma forma muito realista e sem grandes artifícios, directa e sem grande preparação, fazer com que o espectador sinta muito pelas personagens e simpatize com elas, dando um coração enorme a este pequeno filme. É incrível como aos 20 minutos de filme, e sem ter havido um grande desenvolvimento de personagens, a cena do roubo, tenha um impacto tão grande na empatia com Ricci. Estamos todos á espera que o ladrão fuja, mas não há ninguém que não sinta uma grande aflição pela angustia do personagem principal. Isto só demonstra uma terrível eficácia na forma como a história é apresentada. A própria interpretação de Lamberto Maggiorani, um actor não profissional, que acabou por trabalhar outras vezes com De Sica, é extremamente humana, mais real do que Ricci, só mesmo fora do cinema. Mesmo datando de 1948 acreditamos perfeitamente que ele é uma pessoa como qualquer outra na altura que passa por aquelas dificuldades.
Parte da temática neo-realista é também este sentimento de consciência social, e de retrato do estado em que o país se encontrava. E a pobreza cíclica, representada por Ricci e pelo seu filho, são destinos difíceis de escapar devido a todas as condicionantes que a população menos privilegiada tinha. De Sica mostra-nos as possibilidades que este homem tinha na vida e os poucos caminhos que tinha para percorrer. Não há muitas opções, ou escolhas nestas vidas carenciadas. Dai o “ladrão” de bicicletas é simbolismo para as poucas alternativas que um homem tinha. Mas por outro lado, a felicidade é também algo que o personagem chega a conseguir, mesmo que por breves instantes, e motivado pelos mais simples dos acontecimentos, como a refeição que pai e filho partilham no restaurante como meio de fugir á dura realidade. Isto mostra que mesmo com poucos meios, e no meio de extrema pobreza, a mínima alegria é um momento de pura, embora fugaz, felicidade.

Melhor – A Caracterização a todos os níveis de Ricci
Pior – Uma ou outra coincidência na procura pela bicicleta (mal menor)

Video


Where the Hell is Matt? (2008) from Matthew Harding on Vimeo.

14 meses, 42 paises.

Terminator Salvation

O quarto Terminator já está em produção e O NY Times já revelou a primeira foto do filme.



Christian Bale irá interpretar John Connor, e será realizado por McG. O filme centrará as suas atenções no inicio da guerra entre humanos e robots num background pós-apocalíptico.
Apesar da fama da saga, estará alguem curioso em relação ao novo capitulo?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Critica

V for Vendetta (2005) James McTeigue

Estilo e Substância

Liberdade, é esta a ideia base para este filme. Haverá motivo mais nobre e causa mais justa? Porém, V acaba por conseguir transmitir algo mais do que uma simples noção básica sobre a mais importante das causas politicas. Sim o filme, muito por intervenção dos criativos argumentistas, os irmãos Wachowski, é muito mais hábil do que isso.

Passado num recente e alternativo futuro, em Inglaterra, a ultima grande potencia num mundo dizimado por guerra, doença e revolta social, um ditador obcecado por poder e ordem, manipula a sua sociedade na sua forma extremista, preconceituosa e conservadora através do medo. E é através desse medo que surge V, um enigmático e misterioso personagem que é movido pela sua revolta contra este sistema, motivado por vingança pessoal. Ele planeia uma elaborada vingança, inspirado por Guy Fawkes, que no século XVII, tentou explodir o parlamento como forma de união social contra o poder. No meio disto V, conhece Evey, e os dois iniciam um invulgar e intimo relacionamento fomentado na busca pela liberdade.

Evey é o meio pelo o qual o argumento nos transporta pela lógica do terrorista, e é por isto o elemento mais importante do filme. Os personagens são bons, desenvolvidos o suficiente para nós dar a ilusão necessária da história, isto porque este é daqueles argumentos que nos mostram apenas o necessário para nos manipular para onde quer que a história siga. A transformação emocional de Evey é sublimemente bem conseguida e prova de que o imaginativo argumento resulta sem causar afastamento do espectador. Além disso, é muito bem escrito e é capaz de manter um ritmo muito bom de altos e baixos emocionais que dão equilíbrio emocional ao enredo. Tanto estamos perante um momento extremamente forte emocionalmente como um tão contido e pausado que permite que tudo fuja um bocado a estereótipos vulgarmente vistos. Mas este equilíbrio é também conseguido por uma muito forte montagem, que basicamente consegue fazer com que o filme resulte sem se tornar enfadonho, ou exagerado. Bastante bom timing de planos. Mas a montagem é consequência de uma filmagem que embora bastante boa e com momentos de quase brilhantismo, não acompanha a qualidade do guião. James McTeigue opta por filmar vários planos alguns deles de uma forma um bocado aleatória e contar que a montagem “escolha” a melhor forma de narrar. Mas mesmo assim, ele consegue em alguns momentos dar-nos verdadeiros arrepios, como por exemplo na mutação emocional de Evey em especial no plano em que a chuva lhe cai na cara.

Gostaria também de realçar a banda sonora. Simplesmente brilhante. Sempre muito presente durante todo o filme, e mesmo em momentos em que talvez fosse preferível termos silêncio, facilmente o esquecemos devido á beleza sonora que nos invade e acaba por ser fundamental na ligação emocional que temos á história.

O design retro de um futuro próximo é algo que resulta também muito bem, pois dá um toque muito único ao mood do filme.

Apesar de muito imaginativo, o argumento acaba por ser altamente representativo de uma época de instabilidade politica internacional. As similaridades contemporâneas não escapam a ninguém e ideias de governo para o bem do povo e sentido de justiça e idealismo liberal são tons muito á superfície deste filme que certamente opta por medidas sem duvida extremistas e polémicas.

Certamente estamos perante um filme que não é consensual na sua apreciação, nem quanto ao que defende, mas é sem duvida um filme altamente cuidado e elaborado fugindo ao normal blockbuster para algo com estilo, acção, grandiosidade com algumas ideias interessantes, pois tem algo a dizer.

Melhor – Argumento e banda sonora
Pior – Por vezes cria momentos emotivos sem muita razão de ser

Get Smart

Pode muito bem não ter a piada que se espera pelo trailer, mas para quem é fã de Carell, quem consegue resistir a isto


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Critica

M (1931) Fritz Lang


O Pai dos Serial Killers?

1931, é a data deste filme, 4 anos após o som, e numa altura onde linguagem de cinema ainda estava a ser inventada. Não surgiam todos os anos, thrillers criminais, não se refazia sempre a mesma coisa, e este é em muitos aspectos, dos primeiros do seu género, e há quem diga, o pai de dois géneros, o policial e serial killer. M é um assassino de crianças em Dusseldorf, que causa um crescente clima de tensão generalizado pela cidade. Cidade muito particularmente caracterizada pela instabilidade social, atmosfera decadente, pobre e atormentada. Todos procuram o assassino, a Policia, pressionada pela obtenção de resultados, o submundo do crime, incapaz de funcionar num estado policial e o cidadão comum, inseguro e acusatório. O enredo do filme é bom, próprio de um grande filme policial, e com todos os elementos necessários á criação do suspanse que o envolve. Os personagens são do melhor que se vê nesta altura, sem grande historial mas muito característicos e originais, e os desempenhos dos actores igualmente acima do que se via na altura, demonstrando também qualidade na direcção de actores do realizador. Não é tão exuberante e over-acted como normalmente os filmes eram nesta altura. Como o cinema ainda não tinha uma grande bagagem historial, normalmente era necessário mostrar demasiado as emoções para ser melhor compreendido. Mas o que surpreende mais neste filme é o facto de ser inventado linguagem narrativa, não só temática, que ainda hoje se vê no cinema. Filmes como Zodiac, Silencio dos Inocentes, ou até mesmo No Country for Old Men tiveram em M a base de todo um formalismo que hoje tão facilmente reconhecemos e aceitamos como norma. Por isto podemos considerar M um filme adulto numa altura onde o cinema ainda era adolescente. Fritz Lang é sem dúvida nenhuma um visionário do cinema, ele conseguiu imaginar uma história e soube como contá-la usando da melhor forma a câmara. Em 1931 usar planos de corte no movimento, travellings subjectivos do personagem (dos primeiros que me lembro de ver), narrativa em paralelo, acção fora de plano e diálogos por cima outro plano visual são métodos que hoje em dia são fáceis de usar e bastante vistos por muitos anos, mas Fritz Lang de certa forma ajudou a criar tudo isso. È como ter palavras, ter algo para dizer, e juntar tudo criando literatura, neste caso cinematográfica. Até um plano que hoje em dia é normal, como um personagem desaparecer com a passagem de um carro á frente da câmara acontece em M. Lang não só inventa linguagem como sabe como e quando usa-la e prova disso é a aproximação que ele faz da câmara sobre os seus personagens no momento perfeito, ele sabe a importância do timing na mente do espectador, e isto é saber como contar uma história. Quem se lembraria em 1931 de fazer um corte com um personagem num local a fazer um movimento com o braço para o mesmo movimento de outro personagem noutro local. M peca por vezes no ritmo de montagem que atrasa por vezes um plano ou outro, mas é pecado facilmente perdoado e esquecido pois não se esperaria que o filme fosse de rápido desenvolvimento, não que ele seja lento. A nível de temática, de destacar o clima sombrio, a complexidade da história a envolver o assassino, a policia, a máfia, e até uma organização de mendigos desempenha uma parte importante para o desenrolar da história e captura deste personagem altamente perturbado. M é representativo de uma sociedade moral, e a importância da sua captura é uma reflexão social sobre justiça. O personagem que até nem tem grande tempo de ecrã (embora todo o tempo que tenha seja brilhante), mas os elementos que o rodeiam é que contam esta história e dão uma imagem muito negra de um tempo na Alemanha onde valores éticos e morais começariam a ter grande importância e que marcariam o resto do século. Posso afirmar com toda a certeza que M não é o melhor filme que já vi, tanto menos o melhor thriller, mas é sim, das melhor lições de história do cinema que já tive, e que aqui é possível ver como se forma uma linguagem e bases para uma cultura que duram e continuaram a durar, não só para este género, por muito e muito tempo.

Melhor – Ter sido feito em 1931
Pior – Algumas personagens são muito fugazes



Qual o teu Top 100

Devo confessar que um dos meus paralelos interesses ao cinema é tentar fazer, e constantemente mudar, o meu top de filmes. E embora tal tarefa possa parecer altamente subjectiva do tempo, estado de espirito e capacidade nostágica, afinal de contas, entre 2 ou 3 dos teus favoritos, serás mesmo capaz de dizer qual o melhor? Um dia pode ser um, como no outro já não. Mas indepedentemente disso, haverá algo mais fixe do que ter uma lista como todos aqueles titulos deliciosos a olhar para ti? Talvez haja.. este senhor decidiu ter ainda um bocadinho mais de trabalho e fazer um video com os dele.. do 100 ao 1

Estreias da semana

Hancock (Peter Berg)

Cinemas - Horarios
Medeia Monumental - 14h00 / 16h00 / 18h00 / 20h00 / 22h00 / 24h30
Medeia Fonte Nova - 14h20 / 16h15 / 18h10 / 20h05 / 22h00
Colombo - 12h55 / 13h20 / 15h30 / 16h00 / 18h00 / 18h40 / 21h10 / 21h30 / 23h55 / 24h25
Vasco da Gama - 13h15 / 15h50 / 18h20 / 21h30 / 24h10
Amoreiras - 13h30 / 16h10 / 18h50 / 21h40 / 24h15
Filmitalus Twin Towers - Lisboa - 15h00 / 17h20 / 19h40 / 22h00
Cinema Alvaláxia - 13h10 / 15h30 / 17h50 / 21h30 / 23h50
Cinema City Campo Pequeno - 13h45 / 15h40 / 17h35 / 19h35 / 21h35 / 23h55; Sab-Dom: 11h45
El Corte Inglés - 14h20 / 15h00 / 16h30 / 17h30 / 19h00 / 20h00 / 21h30 / 22h00 / 23h45 / 24h30; Dom: 11h30







Funny Games U.S. (Michael Haneke)

Cinemas - Horarios
El Corte Inglés - 14h15 / 16h40 / 19h15 / 21h55 / 24h20; Dom: 11h30
Cinema City Campo Pequeno - 14h25 / 16h45 / 19h10 / 22h00 / 24h20; Sab-Dom: 12h10






Kung Fu Panda (Mark Osborne, John Stevenson)

Cinemas - Horarios
Cinema Alvaláxia - 13h30 / 15h50 / 18h10 / 21h10 / 23h30
Colombo - 13h00 / 15h25 / 17h40 / 19h50 / 22h00 / 24h20
El Corte Inglés - 14h10 / 16h10 / 18h10 / 20h00 / 22h00 / 24h00; Dom: 11h30



quarta-feira, 2 de julho de 2008

Critica

Signs (2002) M. Night Shyamalan

Religião ou Terror

Fé. Ter fé é acreditar, acreditar em coincidências, que tudo acontece por uma razão ou o futuro nada mais é do que um conjunto de acontecimentos aleatórios que dão origem ao caos existencial intimo a cada um. É esta a premissa base que gira em torno deste suspense sobrenatural que Shyamalan, mais uma vez consegue criar e desenvolver de uma forma tão criativa como habitual, muito embora com notórias influências em Hitchcock, fazem dele um realizador único que tem sempre algo a dizer e uma forma muito original, que é precisamente a principal característica para conseguir ser visto como um realizador de eleição. È essencial conseguir ter-se e mostrar essa visão do mundo e capacidade para absorver essa informação de forma a criar algo de verdadeiramente original.
A história do filme é muito simples, uma invasão alienígena global vista através de uma família rural. O pai, antigo reverendo afectado na sua fé através de uma perda próxima, os dois filhos, imaginativos e interventivos, e o irmão mais novo, que vive com eles para os ajudar num momento difícil. São estes os personagens, a que se cruzam uma série de elementos usados por Shyamalan para construir a lógica do filme. Lógica essa que se serve de utensílios como copos de água, rádios para bebés, memórias antigas e ate um livro sobre aliens para criar o mundo deste filme. Não são precisos grandes efeitos ou até grandes meios para construir esta história e importantes elementos como estes servem para estes personagens irem avançando a história e criar o suspense necessário que os rodeia. Mas não só a história, mas também a forma como é filmada é algo que faz parte da originalidade do realizador e acrescenta criatividade ao filme. O filme avança de uma forma muito lenta, mas nunca dá monotonia uma vez que a encenação de todas as cenas tomam o seu tempo próprio e timing perfeito para nos aproximar de uma forma mais intima desta família, olhar único sobre os seus personagens e atracção pelo enredo. É tudo feito com um cuidado extremo nos pormenores e desenvolvimento muito atento dos personagens de tal forma que no fim do filme temos uma ligação tão grande com esta família, que é precisamente por isto que o mistério e intriga funciona tão bem. Mas não é só por termos essa ligação e pela forma como a história é contada que o filme resulta, é também porque Shyamalan sabe mesmo filmar, ele sabe elaborar um plano em função da personagem e acima de tudo sabe como encenar uma cena. Isto só pode resultar numa montagem clássica de grande simplicidade e qualidade que em momentos chave nos conseguem trazer valentes sustos.
Mas um elemento novo até aqui em Shyamalan é o humor. Num filme em que há momentos de grande tensão, ele consegue ter elementos de grande lucidez cómica desanuviando um bocado essa intensidade, aspecto que resulta muito bem se tivermos em conta que este é dos seus filmes mais “sci-fi” e para não se levar demasiado a sério em certos momentos de irrealismo. Mas apesar disso não deixamos de nos sentir ligados emocionalmente, muito pelo contrario. É nos momentos de verdadeira tensão que não deixamos de estar ligados a estas personagens.
Quanto ás interpretações, de realçar apenas todas. Abigail Breslin e Rory Cuklin muito sólidos apesar da idade provando que Shyamalan sabe mesmo dirigir actores, independente da idade ou qualidade, ainda por mais neste caso ambos têm um papel fundamental no desenrolar da história. Joaquin Phoenix talvez dos melhores do filme, uma vez que consegue ser um perfeito secundário, e provando ter um timing óptimo especialmente nos momentos mais cómicos equilibrando muito bem com a tensão inerente. Por fim, Mel Gibson num registo muito diferente do que habitualmente mostra, muito mais contido e ao mesmo tempo atormentado, já um bocado á imagem que Bruce Willis tinha feito.
Em suma, o filme resulta muito bem em toda a sua lógica própria, consegue desenvolver uma ideia disfarçada de filme de terror conseguindo até dizer algo. O cinema, e em especial este género não têm que ter uma mensagem, alias muitas vezes até nem o deve. Devia ser apenas privilegiar a história, mas neste caso resulta muito bem uma vez tratar-se não de um filme de terror propriamente dito, mas uma mistura de um dilema existencial com um drama sobrenatural.


Melhor - A forma como o filme se prepara e elabora para fazer sentido.
Pior - Após se ver a primeira vez, não se conseguir esquecer de tudo para a segunda.

The Dark Knight




A 24 deste mês chegará a Portugal um dos filmes mais falados do ano. The Dark Knight, é o próximo Batman mais uma vez realizado por Christopher Nolan e protagonizado por Christian Bale.

Todos esperamos um filme da mesma qualidade do anterior, quem sabe até melhor, com um contributo importante de um transfigurado Heath Ledger como Joker.

Mas para já, e enquanto não estreia, o filme já deixa a sua marca numa área fora da sala escura. O Marketing. Cada vez mais se aposta na promoção e antecipação de um filme, Mas TDK tem sido inovador pela forma tão diversificada e criativa como o tem feito.

Exemplo disso é a enorme quantidade e qualidade de posters que têm sido lançados.

Mas onde é mesmo criativo é no desenvolvimento de projectos paralelos á realidade do filme, que têm o eficaz efeito de reinserir o publico no universo Bat.

Assim, ao longo destes ultimos meses antes da estreia foram surgindo faseadamente na net sites ficcionais de jornais de Gotham City:

Mapas do metro da cidade:

Posteriormente através da leitura do jornal "gotham times" foram-se descubrindo outras coisas como uma campanha publicitária em conjunto com uma cadeia de pizzarias americana, "Dominoes":

Jogos e enigmas para desvendar:
http://www.whysoserious.com/redballoons/ - este contem uma listagem de todos os sites e jogos (11 no total) relativos á campanha, que datam de 18 de Maio do ano passado!!
Todos estes sites, continham pistas para se que fossem examinadas á exaustão na esperança de encontrar outra pérola neste campanha. Por exemplo no "Gotham Mimes", uma edição satirizada pelo joker, aparecem ao longo do jornal, várias letras destacadas que posteriormente se descobriu que dizia:

Herrings are red
Corpses are blue
You're on the right track
But you don't have the clue

Isto, são tudo tácticas para que o espectador sinta que já ta a ver o filme, antes de decidir se vai ou não comprar bilhete, mas de qualquer forma serve, quer para quem conheça bem ou mal, para nos ir introduzindo na história e personagens do filme. Esperemos é que as melhores caracterizações não sejam aquelas que nos dão antes de ver o filme. Com toda esta parafernália de jogos de marketing, será que The Dark Knight atinge valores record de bilheteira, ou será apenas algo para recordar de quem calhou a ver o filme. Ambicioso ou não, no fundo o que se espera é simples, um bom filme.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Critica

The Man from Earth (2007) Richard Schenkman

O Homem do Debate


O escritor, cujos créditos configuram vários episódios de Star Trek e The Twillight Zone, Jerome Bixby, decide trazer-nos um filme cuja sua originalidade e ambição, embora de louvar, peca apenas por pormenores. The Man from Earth é um filme que na sua apreciação pode parecer simples, e de uma forma conceptual até acaba por sê-lo, mas a complexidade dos seus diálogos e absorção que causam no espectador, fazem com que o filme valha praticamente a pena só pelo guião. Não sem falhas, e falhas que prejudicam a ambição do filme, mas é sempre bom quando estamos perante algo que pode ser feito com muitos poucos meios, e em muito pouco tempo, e ainda ser capaz de trazer muito mais que algumas das mais caras produções. Quanto á história em si, não há muito a dizer sem estragar um bocado a surpresa inicial que o filme nos reserva, mas um grupo de amigos reúne-se com o personagem principal para se despedirem dele, e o filme mostra-nos essa reunião, onde eles acabam por conhecer uma faceta do seu amigo que desconheciam.
Richard Schenkman, o realizador, que não tem grandes créditos firmados no seu currículo, opta por uma abordagem que, e com todo o mérito, consegue em momentos vitais, cativar com pequenos movimentos de câmara sobre os seus personagens e sem grandes artifícios. Mas com um guião tão económico pedia-se uma visão das personagens que acrescentasse mais do que o guião oferece, uma vez que a grande falha deste é a caracterização das personagens optando por alguns clichés em virtude de uma dimensão tão inovadora quanto o enredo. Alguns dos actores acabam por disfarçar esta questão com uma caracterização que nos mostra algo mais em certas personagens, mas mesmo neste capitulo, a maioria deles, simplesmente não tem a categoria e classe para conseguir carregar o filme em direcção à intensidade e originalidade desejada. A excepção são John Billingsley que já vimos como guest em várias séries de TV recentes, e muito embora tenha sempre um registo muito igual, enquadra-se bem no filme pela curiosidade que emprega à conversa permitindo com que o resto dos personagens se mantenham imersos no diálogo de uma forma credível, e David Lee Smith, também com várias participações em TV embora mais discreto, tem aqui uma interpretação muito contida e diferente do que seria de esperar para a dimensão que “John Oldman” tem no filme.
Este é sem dúvida um filme bastante interessante, caso tratar-se de uma produção que não teria de ser necessariamente maior, mas simplesmente mais bem trabalhada e cuidada, estaríamos certamente perante algo de bastante original. Ainda assim fica um exercício em bons diálogos que chegam para nos deixar pregados ao sofá sem pausas durante esta conversa de hora e meia.

Melhor - Conseguir ser envolvente com uma história inverosímil.
Pior - Apesar de tudo em alguns aspectos não foge completamente a lugares comuns.

Wall-E


Ai está, o primeiro grande filme (espera-se) do ano. Estreado na semana passada nos Estados Unidos, Wall-E é um filme de animação da Pixar, e muitos já dizem, o mais visualmente brilhante deles. Quanto, á história ainda não sei muito (nem quero saber até o ver), apenas que se trata de um filme futurista com robots. O realizador é o mesmo que fez em 2003 Finding Nemo, e as criticas iniciais já fazem do filme o melhor de 2008. Há mesmo quem diga que é uma mistura entre o 2001 do Kubrick e o City Lights do Chaplin, "Audaz e emotivo".
Está previsto chegar a Portugal a 14 de Agosto.